27/02/2019

MARCAS

O tempo é implacável. A medida que ele passa vai deixando no rosto, corpo e na alma marcas que não deixam dúvida que se está numa outra fase da vida. Há quem tente se livrar das rugas, numa tentativa vã de fugir dessa realidade. Mas, as rugas não são as únicas marcas que o tempo traz. Esses dias me dei conta disso, quando reflecti na benção de me tornar “tia-avó”. Esse é um sinal incontestável de que o tempo passou. O menino do qual me despedi, a tantos anos atrás, quando viajei à África pela primeira vez, cresceu. Meu sobrinho ANDRÉ tornou-se médico e agora já é pai de um belo menino. Bem vindo ao mundo Enrico.

Outro sinal de que o tempo passou foi uma dor repentina que senti no polegar. Mudanças no corpo. As articulações denunciam que estou numa nova fase. Muitas vezes as mudanças,e as marcas estão associadas a “dor”. Algumas marcas que temos na vida, foram produzidas através de algum epísódio doloroso, que hoje são “apenas marcas”, cricatrizes, mas que nos lembram o caminho que trilhamos.

Existem tantos tipos de marcas. Temos marcas, no carácter, nas emoções, marcas que nos dintingui do mundo. Gosto de pensar nas marcas de um cristão, aquelas virtudes que se mostram no nosso viver. Paulo escreve aos Gálatas: “ Porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus. Gálatas 6.17.

No texto o termo grego é e “stigmata” que pode significar qualquer sinal, mancha, picada de um instrumento fino, como por exemplo aquelas que eram impressas no corpo dos escravos ou dos animais para mostrar de quem eles eram propriedade. Temos a marca da propriedade de Cristo.

Em Gálatas parece que Paulo está a se referir às marcas causadas pelos seus sofrimentos. As suas cicatrizes eram um símbolo da sua fidelidade à Cristo. Nós vivemos num ambiente sem perseguição religiosa, e não entendemos a profundidade desse texto. Mas, a fidelidade é a chave. Oração: Senhor, me ajuda a mostrar as Tuas marcas no meu viver e ser fiel ao meu compromisso contigo.

Um dia dos namorados especial
Não se assustem... Apenas queria relatar que no dia 14 de fevereiro, (que em Moçambique é o dia dos namorados) foi um dia especial, pois duas coisas muito importantes aconteceram: o fim da novela “abertura de uma conta bancária” para a nossa Associação PROIDE e a entrega da minha tese para à minha orientadora.

Sei que parece um exagero eu me alegrar por uma abertura de conta, mas para aqueles que conhecem o contexto burocrático em Moçambique entendem bem o sabor dessa conquista. As dificuldades foram muitas para conseguir que todas as mamas que deveriam assinar pela associação tivessem os documentos completos; e ainda para conseguir encaixar um tempo onde todas pudessem ir juntas ao banco, e se não bastasse, tudo isso só funciona quando o funcionário que lhe atende é o mesmo da vez anterior, pois se não, as informações podem ser muito diferentes, e o processo se arrastar por mais uma semana, um mês, ou meses... Parece uma novela.

Mas, chegou o último capítulo e agora o PROIDE já tem uma conta, o que é um grande passo. Glória à Deus.
Quanto a tese... ah, essa é outra novela... Pois, fazer um trabalho assim, significa escrever e “viver” muitos capítulos. Estamos no capítulo onde o trabalho aguarda que minha orientadora bata o martelo para que eu possa entregá-lo definitivamente ao coordenador do curso. Depois disso vem outros capítulos. Espero que ela consiga fazer isso dentro dos prazos pois nesse caso concreto, o ditado é real: “TEMPO É DINHEIRO”. Se eu não entregar dentro dos prazos estabelecidos, isso implica multas. Me ajudem a orar pelo processo todo. Quero acabar.

O bom filho a casa torna
Esse provérbio, que aprendi desde cedo com o meu avô, poderia resumir o dia de ontem. O menino Coli (agora um jovem de 21 anos), mas por ser especial, tem uma idade mental ainda infantil, perdeu o pai na semana do meu retorno à Moçambique. A família tinha mudado do nosso bairro em dezembro, pois o pai estava muito doente e queriam uma casa maior e melhor. Agradeço ter tido a chance de participar o funeral e apoiar o Coli nesse momento. Logo após o sepultamento, como é costume, as famílias se reúnem para resolver questões. Nesse caso, em especial, eu estava preocupada em saber o que eles decidiriam sobre o futuro de Coli. As irmãs moram numa outra Província, e restou um jovem irmão, recém casado, aqui na Beira. O que será desse menino?

Ontem à tarde, tive uma surpresa. O bom filho a casa torna. Como ele conseguiu chegar ao nosso bairro do Esturro, eu nunca vou saber (já que ele não fala). Com gestos ele explicou que veio a andar. E eu não duvido. Liguei ao irmão e informei que ele estava cá, o qual ficou muito surpreso. Lanchou, assistiu um pouco de bonecos animados, e esperou “impacientemente” o irmão vir buscá-lo no fim da tarde.

O motivo de oração é que eles consigam alugar uma casa no nosso bairro novamente, pois Coli cresceu aqui, e sempre teria algum apoio dos vizinhos. Longe, num novo bairro, tudo fica mais difícil.

Queria agradecer à Deus pela oportunidade de fazer as consultas médicas em janeiro, e tudo estar bem. Como todos sabem passei um tempo difícil entre 19- 25 de dezembro, com “febre tifóide”. Uma viagem fora dos planos ao Brasil, permitiu boas consultas, e um tempo precioso com meus familiares, para consolação pela perda recente do meu tio. Orem por minha família. Obrigada.

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Publicado por Fernanda