28/03/2018

Qual é o seu nome?

“Mas agora assim diz o Senhor, aquele que o criou, ó Jacó, aquele que o formou, Israel: ‘Não tema, pois eu o resgatei; eu o chamei pelo nome; você é meu’.” (Is 43:1 NVI)
Beira, março de 2018

QUAL É O SEU NOME?
Esta pergunta é realizada frequentemente no início de uma boa conversa. Eu, pelo menos, tenho o hábito de fazê-la a todos, pois acredito que chamar uma pessoa pelo seu nome remete interesse, respeito e gera empatia. E é por isso, que nos últimos meses tenho me esforçado bastante para memorizar todos os diferentes apelidos (nomes) que venho conhecendo por aqui, mas ainda assim, cometo erros de pronuncia e frequentemente troco um pelo outro. É perceptível a decepção de alguns porque a irmã missionária Rosalina ainda não memorizou seus nomes.  

Frequentemente faço o uso de um transporte que é de origem indiana, mas muito usado na cidade da Beira. A chopela é um veículo de três rodas que chega a 80 Km por hora, mas não se engane achando que a baixa velocidade remeta alguma segurança, pois seus habilidosos (ou não) motorista costumam aventurar-se costurando entre os carros, vans, caminhões, ônibus, motas, pedestres e buracos espalhados pelas ruas. Enfim, eu gosto muito de conversar com os chopeleiros, pois vejo neles uma oportunidade de me familiarizar com a cultura e de conhecer melhor a cidade. Por isso, sempre pergunto: “Qual é o seu nome amigo?” e assim começa a prosa.

Algo interessante sobre a cultura moçambicana, que aprendi com um dos meus amigos chopeleiros, é que a maioria das pessoas aqui tem o nome de casa e o nome de escola. Ele me explicou isso quando eu respondi a sua recíproca pergunta dizendo os meus nomes: “Eu me chamo Roseli, mas aqui estão a me chamar de Rosalina.” – ele me interrompeu dizendo: “Compreendo mãe, Roseli é o seu nome de casa e Rosalina o seu nome de escola”. Naquele momento a frase do jovem motorista não me pareceu tão especial ou importante. Mas na primeira semana de fevereiro suas palavras ressuscitaram em minha memória, me ajudando a compreender e a superar em Deus uma dificuldade vivida naqueles dias.

Para você que lê, pode parecer capricho ou vaidade, mas eu senti saudade de ouvir alguém me chamar de Roseli, eu queria apenas ouvir o meu nome. Foi quando me lembrei de que Roseli é o meu nome de casa, e finalmente percebi que eu sentia saudade dos de casa. Senti saudade cheiro do café feito pelo meu pai que me despertava todas as manhãs. Senti saudade de ver o olhar de desaprovação da minha mãe quando eu não fazia algo suficientemente bom para ela. Senti saudade de perder a hora trabalhando em frente ao computador no escritório da igreja, sair tarde e andar a noite pelas ruas que tão bem conhecia. Enfim, senti muitas saudades...

E depois de sentir as lágrimas de tanta saudade secarem, eu me lembrei que agora também tenho um novo nome: Rosalina, o meu nome da escola. E de fato é isso que Moçambique tem sido para mim, uma boa escola, onde tenho aprendido muito sobre Deus, sobre mim mesma e sobre o próximo. Provérbios 22:1 diz que “vale mais ter um bom nome do que muitas riquezas; e o ser estimado é melhor do que a riqueza e o ouro.” Pois eu tenho dois bons nomes, que são queridos lá ou aqui, amo ser Rosalina, mas também amo ser Roseli.

E o melhor de tudo é saber que Aquele que me criou, me encoraja a permanecer, lembrando que Ele me redimiu e me chamou pelo meu nome, e isso é mais que suficiente. Não importa o lugar onde eu esteja ou o nome que eu tenha que atender, a Sua graça me convence de que eu sou d'Ele e Ele é meu. Por isso, minha oração é para que eu e você vivamos a plenitude do Pai, Filho e Espírito gozando de toda Sua força que nos alegra em qualquer situação ou nação.

Agradeço a Deus por todos vocês que mesmo longe geograficamente, se fazem presentes com palavras de apoio e intercessões dispensadas em meu favor. Ao lado seguem meus pedidos de oração, certa de que o próprio Espírito nos ensina a pedir e agradecer como convém.