08/02/2021

CONSIDERAR TUDO COMO PERDA...PARA GANHAR A CRISTO

Queridos intercessores,

Como o tempo passa rápido: já finalizamos o primeiro mês do ano. Em todo esse tempo, Deus tem sido gracioso e desejo compartilhar disso, mas primeiro quero refletir em alguns textos relevantes para a caminhada deste mês.

Logo depois da virada do ano, estava refletindo sobre o ano passado e pensando neste novo ano e este texto veio ao meu coração como uma direção para este ano. Nele, Deus me desafia a considerar tudo como perda por amor a Cristo (Filipenses 3.7-8). Tudo o que o mundo considera como lucro, escolho deixar de lado pela grandeza de conhecer a Cristo e entender quem Ele é. Já não coloco minha esperança em títulos e em coisas que posso obter, mas deixo tudo de lado pela sublimidade de conhecer a Cristo. Quando olho para minha própria vida, percebo o quanto para mim é um desafio considerar tudo como perda (títulos, conforto, língua, conhecimento adquirido, país, família, ...). Preciso confessar que nem sempre esse processo é fácil, mas quando foco no crescimento do meu relacionamento com Cristo, posso dizer que vale a pena considerar tudo como perda para ganhá-lO. Que no dia a dia possamos considerar tudo como perda a fim de desfrutar de uma intimidade mais profunda com o Senhor!

Duas verdades me ajudam neste processo. Quando penso na vida de Jeremias, vejo que mesmo antes de Deus formá-lo no ventre de sua mãe, Deus o escolheu e separou-o para ser profeta para as nações (Jeremias 1.5). Da mesma forma, Deus nos escolheu, mesmo antes de existirmos e Ele tem um propósito específico para cada um de nós. Este foi um dos textos que Deus me deu para este ano. Posso descansar na certeza de que Ele me teceu no ventre da minha mãe, escolheu-me e chamou-me para anunciar Sua mensagem entre as nações. Que grande privilégio!

A segunda verdade é que posso me alegrar no fato de que Deus faz tudo apropriado e belo no Seu tempo, Ele tem um tempo certo para cada propósito em minha vida. Se Ele está me chamando para caminhar neste processo, posso ver isto como um presente de Deus e posso ter a certeza de que é algo permanente/para sempre, e não apenas temporário (Eclesiastes 3.9-14). Como é bom poder saber destas verdades e ver como elas me ajudam no entendimento deste processo.

DIA A DIA

 No primeiro dia do ano, fui convidada a passar o dia na casa “Shalom”, uma casa para crianças vulneráveis. Almocei neste lugar e depois passei a tarde com as crianças. Havia uma criança especial: ela sentou no meu colo por um tempo e depois foi levada para estar com outras crianças. O interessante é que ela voltou engatinhando para mim: queria sentar no meu colo novamente e ficou ali o resto da tarde. Posso dizer que o primeiro dia do ano foi bem diferente dos anteriores, mas é no dia a dia que Deus deseja me ensinar o que significa considerar tudo como perda por amor a Ele.

No segundo dia, tivemos um tempo com parte da equipe da MIAF que está em Moroto (cerca de 2 horas de viagem de Kotido). Almoçamos juntos, mas também tivemos o privilégio de compartilharmos experiências, desafios e alegrias. Como foi bom refletir juntos sobre a palavra, orarmos, encorajarmo-nos mutuamente e estimularmo-nos nesta caminhada de conhecer melhor a Cristo.

Tenho tido oportunidade de passar tempo com meus vizinhos. Às vezes tomando chá juntos, conversando, visitando a família de bebê recém-nascido, observando e ajudando nos trabalhos do dia a dia, fazendo bolo juntos no fogão local, etc. 

Tem sido precioso poder desenvolver e construir relacionamentos mais profundos com pessoas ao meu redor. E esta interação me ajuda a entender o que eu preciso considerar como perda...!

Logo no início do mês conversei com o responsável pela Unidade de Saúde em Rengen: comecei a trabalhar nesta unidade duas manhãs por semana. O processo de trabalho é diferente do que estou acostumada. Tem sido uma oportunidade de ouvir mais da língua local e poder ajudar no que for preciso. Queriam já que eu viesse morar no local e trabalhasse todos os dias na unidade. 

Expliquei que meu foco não é apenas trabalhar na unidade, mas também de criar relacionamento nas comunidades e vilas ao redor a fim de compartilhar do evangelho. Esse processo de interação com os profissionais de saúde, os usuários e a maneira como eles fazem o trabalho me ajuda a refletir que também preciso abrir mão da forma como eu faço o trabalho e estar aberta a conhecer e entender maneiras diferentes.

Num determinado dia, as moças que trabalham em casa pediram-me para fazer bolachas com o objetivo de vendê-las e assim conseguir dinheiro para ajudar nos custos da escola. Foi gostoso passar à tarde com elas e ao finalizar, tomamos chá juntos. 

Mas tive que deixar a minha rotina e o meu plano de lado a fim de poder desfrutar deste tempo juntos. Isto me faz pensar no quanto eu estou disposta a considerar tudo como perda...!

Tenho tido oportunidade de conversar e passar um pouco mais de tempo com o Isaac. Ele ajuda no ministério nas vilas. Logo, ele voltará para Kampala para dar sequência aos estudos. Precioso ver o desejo dele de ver os trabalhadores locais sendo fortalecidos no ministério. Ver a vida dele e de outros que têm se empenhado na expansão do Reino, faz-me refletir no quanto Deus deseja me usar neste sentido a fim de que outros possam desfrutar da sublimidade de conhecer a Cristo.

Semana passada viajei para Kampala a fim de participar de um treinamento de liderança. A viagem para Kampala sempre é uma surpresa, pois é difícil saber o que acontecerá no caminho. Desta vez, a viagem foi longa, tivemos várias paradas no meio do caminho e cheguei à meia noite. 

Achei melhor dormir na rodoviária dentro do ônibus para no outro dia deslocar-me para a casa da família que me hospedaria. Entendo que é nestas coisas práticas que Deus me chama a considerar tudo como perda também.